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Descrevendo suas realizações no currículo

Como descrever as próprias realizações profissionais? O que dizer no currículo sobre elas? Como dizer?

Descrever as próprias realizações profissionais ao longo da carreira nem sempre é uma tarefa fácil. É neste ponto que surgem dúvidas e erros muito comuns, desde erros de português, repetições de conteúdo e parágrafos muito longos até o próprio conteúdo da frase, ora com excesso de informações, ora com menos informações do que seria o ideal.

Textos extensos e excesso de detalhes técnicos que podem até parecer relevantes para você mas não serão compreendidos por quem lê o currículo podem diminuir significativamente as possibilidades de sucesso. Além disso, junto com o seu currículo, talvez sejam analisados centenas ou até mesmo milhares de outros currículos.

O ideal na hora de descrever as experiências é comunicar cada realização profissional com um texto leve, fácil de ler e entender, que ajude o leitor, não importa qual seja a área profissional dele, a entender perfeitamente o que está sendo dito, transmitindo suas principais forças ou diferenciais competitivos, utilizando palavras-chave que retratem suas verdadeiras qualificações técnicas e pessoais e um layout que ressalte seus melhores resultados.

O que escrever

Nessa altura você já relembrou e anotou todas as suas realizações profissionais e já selecionou quais delas são as mais importantes – e se ainda não o fez, leia este artigo aqui sobre o assunto.

Agora é hora de dar uma forma para cada realização. O ideal é que cada realização comunicar que:

a) havia um “problema” ou desafio a superar (exemplos: queda nas vendas da empresa, produtividade, processos com falhas);

b) que você solucionou;

c) a partir de determinada ação, que é a realização em si (exemplos: desenho ou implantação de um novo processo, identificação de melhorias em produtos, etc.);

d) e com isso você obteve um resultado para a empresa (exemplos: aumento no volume de vendas ou de produtividade, processos mais eficientes, maior qualidade no produto ou serviço).

Isso tudo dá uma ideia sobre o que uma descrição de experiência deve conter, mas como fica na prática?

Na prática, escreva frases em torno de 15 a 25 palavras, com a seguinte estrutura:

  • inicie a frase com substantivos que representem a ação realizada da maneira mais positiva possível;

(exemplos: Gerenciamento, Implantação, Elaboração, Aprimoramento, Aceleração, Aumento, Expansão, Organização, Reorganização, Fortalecimento, Liderança, Padronização, Simplificação, dentre outros)

  • descreva a ação em si;

(exemplo: Liderança no projeto de implantação de novos processos de vendas…)

  • resuma o modo como você executou a ação;

(exemplo: …identificando gargalos e falhas, sugerindo melhorias…)

  • conclua a frase com o resultado obtido (numérico ou qualitativo);

(exemplos: “…obtendo aumentos significativos no volume de negócios e maior satisfação dos clientes” ou “…obtendo aumento de 30% nas vendas no primeiro mês após a implantação” )

No final, conforme os exemplos de realizações dados acima, você terá uma frase com a seguinte estrutura:

Liderança na implantação de novos processos de vendas, identificando falhas e melhorias, obtendo sucessivo aumento no volume de negócios desde o primeiro mês de implantação.

Ou seja, nesta frase, o profissional tinha um desafio a enfrentar (aumento nas vendas), que ele superou ao liderar a implantação de novos processos, promovendo melhorias que levaram ao resultado esperado.

Veja alguns tipos de resultados que podem ser descritos, como sugestão, para diversas áreas profissionais:

Administração e área financeira

  • economia financeira para a empresa
  • redução de custos
  • melhorias em processos em geral

Vendas

  • aumento do volume de vendas
  • melhorias nos processos de vendas com o cliente

Produtos e serviços

  • aumento de qualidade dos produtos e serviços
  • aumento de produtividade
  • diminuição de prazos de entrega e/ou de conclusão de atividades

Recursos Humanos

  • redução de turnover
  • retenção de talentos para a empresa
  • economia em processos de desligamento e audiências de rescisão contratual
  • melhorias no clima organizacional
  • diminuição dos prazos nos processos de recrutamento e seleção
  • aumento da qualidade das contratações

Marketing

  • aumento de vendas
  • desenvolvimento de novos produtos
  • atração de novos clientes e retenção dos antigos
  • ampliação do Market share

Área jurídica

  • geração de economia em acordos trabalhistas
  • renegociação de contratos
  • economia a partir de revisão e planejamento tributário

Compras

  • economia nos processos de compras
  • economia na identificação de novos fornecedores

Tecnologia da informação

  • desenvolvimento e implantação de sistemas que geraram economia e/ou eficiência, produtividade e qualidade em processos da empresa
  • migração de sistemas antigos para novos, alinhando a empresa com o mercado
  • integração de sistemas e processos de negócios com empresas, clientes e fornecedores

Profissionais de todas as áreas podem falar em resultados

Para algumas áreas profissionais é mais fácil falar em resultados obtidos, pois para elas há números que apoiam a descrição de resultados. Para outras, nem sempre os resultados são quantificáveis em números. Mas aqui vai uma observação: lembre-se que você, melhor do que ninguém, é quem pode falar sobre resultados em sua própria área profissional, e saiba que a maioria das pessoas que também trabalham na sua área terão o mesmo desafio e talvez as mesmas dificuldades em falar sobre resultados específicos de sua própria área.

Não se esqueça: se você é um profissional que, como muitos, afirma ter “foco em resultados”, prepare-se para falar sobre resultados com total autoridade sobre o assunto!

Como fazer um bom currículo?

Você já deve ter lido centenas de textos e guias sobre como elaborar um bom currículo, mas aqui estão algumas dicas que com certeza são novas para você e vão ajudar a deixar seu currículo ainda melhor!

Primeiro é importante que você saiba quais são os principais objetivos de um currículo:

1. Atrair a atenção do RH

Em meio a milhares de currículos que o selecionador de RH recebe todos os dias, fazer com que ele se interesse exatamente pelo SEU currículo é o primeiro passo.

2. Manter o selecionador interessado na leitura

Após despertar o interesse do selecionador de RH pelo seu currículo, você precisa fazer com que ele continue querendo ler seu currículo até o fim.

3. Ser convocado para a entrevista

Após o selecionador de RH ter lido totalmente o seu currículo, você só será convocado para a entrevista se o selecionador tiver tido uma boa impressão e gostar do que leu. Se suas experiências estiverem condizentes com seus objetivos profissionais, se o currículo está bem escrito, sem erros de português, entre muitos outros fatores que vou comentar neste post.

Considere esta maneira de encarar o seu currículo:  ele nada mais é que seu material publicitário, que vende um produto principal: você mesmo! O material deve ser elaborado como um folder ou folheto promocional, destacando o que o você tem de melhor e suas principais forças.

Pensando nisso, sugerimos uma forma bastante prática para construir um bom currículo.

Primeiramente vamos dividir o currículo em duas partes:

  1. Identificação, dados pessoais e dados de contato
  2. Dados de formação e da sua vida profissional

A primeira parte é bem simples e fácil. Vamos deixar o nome sozinho, numa linha e escrevê-lo com fonte número 12.

Abaixo do nome colocaremos os outros dados, divididos em duas colunas, uma alinhada à esquerda e outra à direita. Vamos utilizar aqui fonte número 10.

Faça uma linha de divisão entre a parte 1 e 2 e vamos agora para a segunda parte.

Comece a segunda parte com seu Objetivo Profissional. Ele deverá estar sozinho na linha e ser escrito com uma fonte maior do que a do seu nome. Vamos utilizar aqui o tamanho 14 para fonte.

Agora, vamos subdividir estes próximos textos em cinco grandes grupos:

  • Grupo 1:  Principais Qualificações
  • Grupo 2: Formação e Experiências profissionais
  • Grupo 3: Idiomas, cursos e informática
  • Grupo 4: Prêmios, viagens e trabalhos voluntários
  • Grupo 5: Observações ou Informações Adicionais

Relembrando os três objetivos que o currículo precisa atingir e fazendo um paralelo com o que já dissemos até agora:

  • As informações do Grupo 1  servem para atrair a atenção do selecionador para o seu currículo e criar nele a vontade de continuar lendo.
  • Os outros grupos (de 2 a 5) são relacionados ao objetivo número 2, que é manter a atenção do selecionador, e a ordenação destes grupos serve para apresentar as informações de acordo com a relevância de cada assunto. As informações mais relevantes aparecem primeiro. Com isso, continuamos mantendo a atenção do selecionador para a leitura total do currículo.
  • Por fim, a informação que estiver contida no currículo e a forma como esta foi escrita é que despertará, ou não, o interesse do selecionador para chamá-lo a uma entrevista presencial.

A ilustração abaixo demonstra a estrutura básica de um currículo:

Imagem Post - 2014

Coloque no Grupo 1 seus pontos mais fortes, pode ser sua formação, ou uma de suas experiências profissionais, ou um prêmio importante, uma viagem, enfim, qualquer coisa que esteja muito alinhada com o seu objetivo profissional e que seja muito relevante para o cargo pretendido.

Já nos grupos 2, 3 e 4, você pode alterar a ordenação das informações que estão dentro de cada grupo. Por exemplo, no Grupo 1, se você tiver pouca experiência profissional e uma boa formação, deixe a Formação em primeiro lugar e a experiência em segundo. Já, se você tiver mais idade e sua experiência profissional for bastante relevante, coloque as experiências profissionais primeiro e só depois, a sua formação acadêmica.

Faça o mesmo com os outros grupos, ordene-os internamente de acordo com as suas informações mais relevantes.

Veja um exemplo de um currículo construído com este formatohttp://curriculo.com.br/exemplo

Se desejar expor seu currículo da mesma forma como o currículo acima apresentado, clique aqui.

Com um currículo bem estruturado suas chances para ser convocado para a entrevista, aumentam.

Foi chamado? Parabéns! Seu currículo cumpriu a sua função.

Agora aproveite este encontro presencial com o selecionador, venda corretamente seu produto (você!) e conquiste seu novo emprego.

Boa sorte!

;-)

Curiosidades sobre o Curriculum Vitae

Antes de começarmos com uma série de posts sobre como montar um currículo, você sabe de onde veio a palavra “currículo”?

As primeiras menções de que se tem notícia do ato de se registrar competências e feitos aparecem no antigo Egito. Há cerca de 3.500 anos, artistas e estudiosos já relatavam seus feitos em papiro ou pedra.

“Curriculum” vem do latim “Curriculum Vitae”, que quer dizer “história escrita da vida”. Uma curiosidade: o plural de “Curriculum” é “Curricula”, e não “Curriculuns”, por ser uma palavra do latim, que  em alguns casos exige “-a” no final da palavra para formar o plural.

Mesmo sendo chamado por muitos por apenas “CV”, seu nome em língua portuguesa passou a ser “currículo”, e este sim é flexionado no plural à nossa maneira (“currículos”).

Vejamos como alguns dicionários e enciclopédias se referem a ele:

Michaelis – cur.ri.cu.lum vi.ta.e sm (lat) – Conjunto de dados pessoais, educacionais e profissionais de quem se candidata a um emprego ou a um curso de pós-graduação de uma universidade.

Universal – curriculum vitae   (Lat.) s. m. – carreira da vida (indicações biográficas, acadêmicas e profissionais).

Aurélio – curriculum vitae   [Lat., ‘carreira da vida’.] – Conjunto de dados concernentes ao estado civil, ao preparo profissional e às atividades anteriores de quem se candidata a um emprego, a um concurso, etc. [Pl.: curricula vitae.]

Barsa Planeta – Curriculum Vitae: – Conjunto de dados concernentes ao estado civil, ao preparo profissional e as atividades anteriores de quem se candidata a um emprego, a um concurso, etc.

Michaelis executive – curriculum vitae. – Breve relato escrito da história passada de uma pessoa, geralmente usado para apoiar um pedido de emprego. Poderia ser sinônimo de (résumé).  résumé. – Termo francês equivalente a “resumo”, que é uma breve listagem de um candidato a emprego, relativo à sua experiência de trabalho, educação, dados pessoais e outras informações pertinentes.

Mais curiosidades

Há apenas 20 anos, os padrões de um bom currículo eram bem diferentes do que vemos hoje. O currículo padrão era composto por mais de quatro folhas, trazendo informações como números dos documentos, formação escolar desde o primário, explicações detalhadas sobre cada cargo exercido, motivos de saída de cada empresa e a assinatura do profissional, inclusa logo abaixo de uma frase do tipo:

“As informações aqui contidas são totalmente verdadeiras, e dou fé respondendo sob pena da lei pela não veracidade das mesmas.”

Em outros países

A cultura de cada país influencia a elaboração de um currículo.  Vamos citar três exemplos, tendo em foco apenas o número de páginas:

  • No Brasil utilizamos atualmente, no máximo, duas páginas;
  • Nos Estados Unidos o currículo é chamado de “Resume” e normalmente se encontra resumido numa única página;
  • Já na Europa, o currículo pode ter três ou mais páginas.

Nos próximos posts, dedicaremos uma série de artigos sobre como fazer um bom currículo e como cuidar bem de cada um de seus itens.

Até lá!

Meios para divulgar você mesmo na busca de emprego

Uma das etapas da procura por um novo emprego envolve a produção de material para divulgar seu produto principal: você mesmo! Este é o momento em que você trabalha como se fosse uma agência publicitária, criando material para divulgar uma boa imagem do seu produto, com o objetivo de convencer os compradores (pessoas do seu networking, selecionadores, entrevistadores e pessoas com poder de decisão nas contratações) de que seu produto atende bem às necessidades do cliente (a empresa que poderá contratá-lo).

Em artigo anterior aqui no Manual da Recolocação, já orientamos você a reunir todas as informações sobre sua carreira para antes de você produzir estes materiais. Você não utilizará todas elas, mas selecionará as principais, que falem bem de seu produto e que sejam úteis para os seus atuais objetivos profissionais.

Neste artigo, vamos resumir cada material de divulgação que você precisará preparar para se divulgar às empresas e ao seu networking. Cada um destes materiais merecerá muitos posts dedicados inteiramente a eles no nosso Manual da Recolocação Profissional.

Currículo

O que é

É o mais “óbvio” dos materiais de divulgação, o primeiro em que todo mundo pensa na hora de buscar emprego. É um resumo sobre seu histórico profissional, que mostra basicamente em que cargo e área você deseja trabalhar atualmente – seu objetivo profissional – sua formação, cursos e suas mais importantes qualificações e realizações, que demonstrem da melhor maneira possível que você está plenamente apto para trabalhar no cargo que ele pretende.

Para que serve

A finalidade básica é despertar o interesse de um selecionador para uma entrevista com você. Simples assim! Ninguém consegue emprego somente com um currículo, mas consegue atrair o interesse de alguém que está selecionando pessoas para uma vaga, para aí participar de um processo presencial. Portanto, o conteúdo do currículo deve ser interessante para estas pessoas, a ponto de sentirem a necessidade de conversar com você antes de decidir qual profissional preencherá a vaga.

Quando você irá utilizar

– Para responder a anúncios de vagas, seja na Internet, em sites de empregos como a Curriculum.com.br, seja em jornais impressos ou outros meios;

– Para divulgar seu perfil na Internet, por exemplo, em páginas pessoais e redes sociais;

– Para distribuir às pessoas de sua rede de contatos quando necessário, sempre com o objetivo de fazer com que ele chegue a pessoas com poder de decisão na contratação de profissionais como você;

– Eventualmente para levar com você a processos seletivos presenciais, pois a empresa pode solicitar um currículo atualizado, e você deve estar preparado. Jamais seja pego de surpresa! Além disso, você pode personalizar este currículo especialmente para aquela vaga, destacando os pontos fortes de sua carreira que melhor atendam às necessidades daquela vaga ou empresa em questão.

Carta de apresentação

O que é

É uma carta que apresenta seu perfil profissional em resumo, contendo os pontos sobre o seu perfil, destinada preferencialmente de maneira mais personalizada possível para uma pessoa em uma determinada empresa que você ainda não conhece pessoalmente, mas que você identificou como um possível contratante, isto é, alguém que tem poder de decisão ou influência naquela empresa para contratar profissionais com o seu perfil.

Para que serve

– Para prospectar oportunidades em empresas de seu interesse, mesmo que ainda não tenham uma vaga anunciada com o seu perfil;

– Para despertar o interesse de pessoas com poder de contratação sobre o seu perfil, especialmente aquelas a quem você chegou a partir de sua rede de contatos;

– Para converter o interesse dessas pessoas, por exemplo, em possíveis encontros, almoços ou reuniões para troca de informações e, quem sabe, falar sobre oportunidades de emprego para você.

Quando você irá utilizar

– Quando tiver informações mais específicas sobre como você pode ser especialmente útil a uma empresa e puder utilizar essa informação na carta para atrair o interesse do destinatário;

– Quando você identificar pessoas com poder de contratação numa empresa de seu interesse, de preferência a partir de seu próprio networking, e desejar estabelecer um contato com elas.

Características especiais da carta

Assim como o currículo, a carta de apresentação merece artigos inteiros à parte aqui no nosso Manual da Recolocação. Mas, em resumo, a carta de apresentação ideal contém os seguintes itens:

– Breve apresentação sobre você e seu perfil profissional (breve mesmo!);

– Alguma informação relacionada à sua própria área profissional que seja relevante para o negócio da empresa à qual você dirige a carta, que possa estimular o destinatário a querer conversar com você;

– Sua disponibilidade para um contato mais pessoal.

A carta de apresentação envolve bastante trabalho: networking para se chegar às pessoas com quem você quer falar, pesquisas sobre a empresa, seus negócios, cultura organizacional, necessidades atuais e desafios, sobre a pessoa com poder de contratação (nome, cargo e qual a esfera de influência da pessoa nas contratações) e especialmente sobre o que a empresa espera de candidatos.

Apresentação pessoal

O que é

É a sua primeira comunicação ao se apresentar pessoalmente às pessoas de sua rede de contatos ou pessoas que você conhecer ao longo do processo e que possam te levar a oportunidades ou novos contatos.  É um discurso de no máximo X segundos, que você precisará ter, na ponta da língua, sobre quem é você e o que você faz de melhor. Você precisará treinar este discurso sem decorá-lo, até soar com naturalidade.

Para que serve

– Para comunicar de maneira clara e correta seu perfil profissional, suas principais qualidades e interesses profissionais, sem tomar tempo demais de seus ouvintes;

– Para causar uma excelente primeira boa impressão a quem você se apresentar.

Quando você irá utilizar

– Em seus primeiros contatos com pessoas que você tem interesse em adicionar ao seu networking.

Como já dissemos, assim como o currículo e a carta de apresentação, sua apresentação pessoal merecerá artigos à parte em nosso manual.

Até os próximos artigos!

Planeje suas finanças durante a busca por emprego

Todos que passam pela busca de um novo emprego têm que continuar lidando com as contas a pagar. Esse ponto sempre gera ansiedade. Então, como lidar?

Para quem está sem emprego, planejar as despesas é a melhor opção. Já dissemos antes: o momento pede atitudes racionais. E as finanças devem ser racionalizadas também. Veja como:

Converse com a família

Em casos de demissão, é muito importante conversar com familiares e contar o ocorrido no mesmo dia em que receber a notícia. De imediato, peça o apoio e a compreensão de todos.

É importante colocar a cabeça no lugar, como já dissemos antes, e logo reunir a família, expor o momento de transição e que ele pode exigir que todos ajudem um pouco no controle de gastos, com pequenas ações que todos podem fazer, como por exemplo:

  • evitar compras por impulso ou que podem esperar;
  • preparar refeições em casa, evitando restaurantes;
  • desligar a luz quando não for usá-la;
  • tomar banhos mais rápidos;
  • até mesmo reduzir a pizza… etc.

Mostre que todos podem contribuir durante um momento que vai passar, e que você vai trabalhar para isso! Contagie a família com confiança, mas mostre que o momento exige pequenos cuidados que, somados, ajudam a atravessar o momento com mais tranquilidade. Envolva a família sempre de maneira positiva. Já dissemos antes: o copo deve estar sempre meio cheio! Explique que os tempos mudaram e que, atualmente, um processo de recolocação requer um trabalho intenso na busca de oportunidades, envolvendo vários contatos com diversos profissionais, e que você precisará da ajuda de todos para ampliar sua rede de contatos. Conquiste o apoio da família, inclusive para ajudar você em algumas tarefas que aparecerão durante o processo. E aproveite para conversar sobre o orçamento familiar e as economias necessárias para o momento.

Caso o orçamento doméstico se torne uma questão difícil, você deverá entender que seus familiares também se sentem aflitos e sob pressão. Portanto, seja também compreensivo nos momentos em que os ânimos se alterarem. Mas lembre-se: suas ações – e não palavras – e o modo como você se posiciona perante o problema são os fatores que trarão maior positividade ao ânimo de sua família. Agindo desta forma, certamente você poderá contar com a colaboração total de seus entes queridos.

Faça uma lista de despesas domésticas e familiares

É interessante obter algum conforto ao descobrir que você consegue reduzir algumas despesas. Para isso, você precisa saber onde seus recursos são gastos para poder, quando possível, reduzir o que é acessório ou desnecessário.

O ideal é você colocar suas despesas numa planilha para entender quais são seus custos fixos e identificar quais custos podem ser reduzidos. Se você não tem um editor de planilhas, saiba que existem várias versões gratuitas na Internet. Outra dica: existem vários aplicativos gratuitos para celular dedicados ao controle de despesas.

Não se esqueça de incluir nenhuma despesa mensal: água, luz, telefone, aluguéis, impostos, seguros de vida e de saúde, etc. Não despreze sequer os pequenos gastos diários ou semanais. Inclua diariamente todos os seus gastos na planilha durante um mês.

Após determinar que despesas você pode reduzir, você terá uma ideia de quanto tempo durarão os recursos que você tem, para ter uma visão sobre os seguintes assuntos:

  • Que outras fontes alternativas de renda você pode ter (trabalhos temporários, aplicações, venda de um bem, empréstimos com parentes)?
  • Reduzidos os custos, por quanto tempo seus recursos durarão?

Sim, é necessário encarar esta realidade. Mascará-la é tapar o sol com a peneira. Mas por mais assustador que possa parecer o prazo que você encontrar, é importante que você o conheça, pois ele ajudará a alinhar suas expectativas. Prazos mais curtos para se recolocar exigirão maior flexibilidade de sua parte para aceitar oportunidades que, mesmo que não sejam as ideais, ajudarão a manter suas contas equilibradas. E não se esqueça de que o melhor momento para se buscar um novo emprego é enquanto se está empregado.

Fuja dos juros, principalmente dos mais altos

Procure pagar todas as suas despesas à vista, evitando também atrasos e multas. Se você tem cartão de crédito e achou que é uma boa ideia utilizá-lo para fazer dívidas, mude já isso. As taxas de cartões de crédito são geralmente as mais altas do mercado. Se você já tem alguma dívida em cartão de crédito, procure entrar em contato com um gerente de seu banco e verifique a possibilidade de converter a dívida do cartão em outras formas. Juros de cheque especial e empréstimos pessoais costumam ser bem menores. Mas o ideal, sempre que possível, é fugir dos juros SEMPRE, sejam eles altos ou baixos. Portanto, o ideal mesmo é quitar dívidas se possível e eliminar os juros de suas despesas. Como nem sempre é possível, busque renegociações e juros menores sempre que possível.

A vida continua!

Não pense que, com tudo isso, você deve paralisar sua vida social. Pelo contrário, seus amigos, parentes e demais pessoas com quem você costuma se encontrar, por exemplo, em bares e restaurantes, poderão ser essenciais para a estruturação de seu networking pessoal. Assim, procure alternativas para continuar encontrando pessoas de suas relações.

Se possível, busque fontes alternativas de renda, mas tome cuidado: há muitas ofertas de trabalho alternativo no mercado que nada fazem a não ser tomar seu tempo e até mesmo seu próprio dinheiro.

O hábito da economia e atenção aos gastos domésticos será útil durante e após sua recolocação no mercado de trabalho. Cuidar bem dos recursos financeiros disponíveis para você o ajudará a manter sua autoconfiança e seu senso de planejamento, pontos que sem dúvida poderão valorizar você diante das empresas em processos de seleção.

5 sinais de que está na hora de procurar um novo emprego

Responda rápido: quantas vezes você já reclamou do seu emprego esta semana? Claro que reclamar de alguma coisa nem sempre significa que você quer se livrar dela. Mas se isso acontece com muita frequência, pode indicar que é preciso fazer uma mudança.

Tomas Chamorro-Premuzic, especialista em gestão de talentos, escreveu um artigo esta semana para a Harvard Business Review listando cinco sinais de que está na hora de encontrar um novo emprego.

Segundo Chamorro-Premuzic, seres humanos são naturalmente avessos ao risco, mesmo quando estão em uma situação que os torna infelizes. Análises mostram que as pessoas tendem a se manter em um emprego mesmo apresentando atitudes negativas, baixo engajamento e falta de identificação com a cultura da organização.

No fim do dia, segundo ele, nos sentimos confortáveis com uma vida previsível – isso nos deixa mais seguros. A  simples incapacidade de tomarmos uma decisão é, por si só, um fator de ansiedade, porque aumenta a incerteza sobre o nosso futuro. “Tudo isso explica por que é tão difícil largar um emprego, não importa quão não-inspirador e monótono ele seja”, escreve.

Para ajudar você a pensar se é mesmo hora de uma mudança na carreira, vale conferir as dicas do especialista.

Você não está aprendendo

Estudos indicam que a progressão mais feliz para a vida adulta e a velhice está relacionada a trabalhos que estimulem a mente com aprendizado contínuo. Isso é especialmente importante para pessoas com traços de personalidade associados à curiosidade, criatividade e gosto pelo aprendizado.

Você está com baixo desempenho

Se você está estagnado, navegando com o piloto automático e poderia cumprir seu trabalho dormindo, provavelmente está tendo um baixo desempenho. E isso, cedo ou tarde, vai ser um problema para o seu currículo. Se você quer ser feliz e engajado no trabalho, é melhor encontrar um trabalho que te estimule a desempenhar no nível mais alto.

Você não se sente reconhecido

Mesmo quando funcionários estão felizes com seus salários e perspectivas de promoção, eles não estarão totalmente satisfeitos se não forem reconhecidos, especialmente por seus gerentes. A falta de reconhecimento também está associada a maior chance de exaustão e atitudes pouco produtivas, como sabotagem.

Você só trabalha pelo dinheiro

Ficar em um emprego só pelo dinheiro pode ser desmotivante. O engajamento, segundo Chamorro-Premuzic, é três vezes mais dependente de recompensas intrínsecas do que externas.

Você odeia seu chefe

Uma pesquisa mostra que 75% dos adultos dizem que a parte mais estressante de seu trabalho é seu supervisor imediato ou gerente. “Até que as organizações façam um trabalho melhor na hora de selecionar e desenvolver líderes, os funcionários precisarão diminuir suas expectativas sobre gerenciamento ou continuar buscando chefes excepcionais”, diz o especialista.

Fonte: Época Negócios